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Arquivo da categoria ‘Relatórios’

A palavra inaugural é CORPO. A palavra final é CALOR. Entre elas, o universo, uma história completa do início ao fim, uma vida e muitas mortes. Ou várias vidas e uma só morte. Se fosse definir o que foi o processo da Oficina da Cabana, talvez eu usasse um verbo: NOMEAR. O ato mais sagrado, [...]

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É preciso que o pensamento de ciência – pensamento de sobrevôo, pensamento do objeto em geral – torne a se colocar num “há” prévio, na paisagem, no solo do mundo sensível e do mundo trabalhado tais como são em nossa vida, por nosso corpo, não esse corpo possível que é lícito afirmar ser uma máquina [...]

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Uma pergunta da Silvia do dia anterior é destrinchada. Ela havia perguntado: Como você (Rubens) percebe o corpo dos integrantes da Missão Solaris, do início até o momento? Desmonta-se, amplia-se, divide-se, desdobra-se a questão. Ela torna-se um objeto manipulável. Um objeto sujeito à dissecação. Por que essa pergunta e não outra? Ela (a pergunta) é [...]

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Deve ser o mais difícil dos relatórios. Mas, de qualquer forma, eles cada vez mais estão difíceis e complicados de escrever. As reuniões tornaram-se mais complexas e densas. O ar é chumbo. (rubens grafita sobre a lona: cabana solaris persistência no real) Depois do trabalho, a seqüência de perguntas. Que foram dissecadas e não respondidas. [...]

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Depois do sagrado, a profanação. Entro pelo corredor, avanço em direção à luz violeta e olho pela abertura de entrada. O piso está coberto de tinta vermelha. Na mesa, mais tinta derramada. Duas circunferências desenhadas no chão, uma vermelha e outra preta. Bancos com traços apressados de tinta, o bordado feito pela Lilian no dia [...]

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O silêncio branco do papel é diferente do silêncio do espírito sagrado. Este pode ser muito ruidoso e assustador. Pode proporcionar a possibilidade de muitas sinestesias: evocar calor ou frio, fazer perceber melhor as variações dos cheiros, das texturas das coisas que tocam os corpos. O silêncio do espírito sagrado amplifica os sentidos. – Houve [...]

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Este relato está todo quebrado. Quebrado como um objeto que manipulamos demais: abrimos, dobramos, fechamos, fazemos força para virá-lo do avesso e ver o que há no seu interior (e o que há é de difícil compreensão), tornamos a colocá-lo no lugar. Até que ele quebra. O que se faz então é juntar os cacos [...]

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Um galo canta ao amanhecer e lança um fio que é apanhado por um outro galo, que por sua vez também canta e lança outro fio, e assim uma rede complexa e invisível de fios lançados é tecida. O poema de João Cabral, que me foi contado pelo André, serve como boa introdução para a [...]

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Houve ruído na comunicação. Não foi a melhor das reuniões, ainda que tenha sido possível tirar muita coisa dela. A mais gritante é que pode haver discordância mesmo quando não há, propriamente, uma divergência. Os discursos podem, simplesmente, não se cruzar. E a discussão pode tornar-se bizantina por isso. Foi o que me pareceu a [...]

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Ocupar o espaço é criar um constrangimento. Esta é resposta do espaço: constrição. Feito jibóia apertando o bezerro que não sabe que é a janta. Daí que não se pode ser um bezerro. É preciso saber que se é visto como o rango do dia e não tolerar isso. A cobra que morra de fome. [...]

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